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O novo paradigma da gestão na era da informação

O gestor como agente responsável pela promoção de altos níveis de
produtividade e eficiência operacional deve sempre pensar em processos
decisórios. “Qualquer negócio (bem administrado) tem um conjunto de
processos definido e é necessário começar pelos (...) que tem mais
impacto na sua receita e no atendimento ao cliente. (...) Uma empresa
sem processo é uma empresa desorganizada e uma empresa desorganizada
custa muito mais.” [1] Atualmente a definição dos processos não se dá
mais como no passado quando as mudanças organizacionais eram feitas
através de decisões implementadas através de autoridade e poder. Na
era da informação o conhecimento é uma das ferramentas principais para
o desenvolvimento do negócio. Por tanto, os funcionários que lidam
diretamente com informações estratégicas são fundamentais na
elaboração e implantação de novos processos.[2] São estes que
fornecerão informações necessárias para a análise, compartilhamento e
monitoramento dos processos decisórios do gestor. Isso corresponde ao
conceito de Business Intelligence (BI) ou Inteligência de Negócio.

Isso nos remete a duas questões. Que tipo de informação o gestor deve
buscar e como? Segundo Cristofoli “as organizações necessitam de
informações oportunas e conhecimentos personalizados, para auxiliar a
gestão empresarial e os processos decisórios.” [3] Atualmente as
informações podem ser coletadas em tempo real, através de sistemas que
conectam aplicativos móveis a bancos de dados armazenados em nuvens
(Cloud Computing) que possibilitam o acesso de qualquer ponto e a
qualquer momento. As vendas podem ser realizadas de qualquer lugar e
as informações necessárias para fechar o negócio também podem ser
acessadas por celulares ou outros aparelhos. Você pode estar no meio
de um deserto, em um passeio de férias com a esposa e comprar uma
cervejaria centenária do outro lado do mundo como fez Jorge Paulo
Lemann, proprietário da antiga Imbev. Isso aconteceu em 2008 quando a
Imbev iniciou as negociações para a compra da Anheuser-Busch
(fabricante da cerveja Budweiser) e criou a AB-Imbev.[4] Enquanto os
executivos da empresa discutiam os detalhes do negócio o presidente da
companhia tirava férias e mesmo assim ele participou diretamente do
negócio sem perder nenhuma informação importante. Isso porque todas as
informações do mercado, do concorrente e da própria situação
financeira da empresa estavam ao alcance das mãos e permitiram ao
gestor tomar a melhor decisão.

No exemplo anterior foi possível tomar a decisão, pois a empresa sabia
de sua capacidade, conhecia o mercado que atuava e percebeu o momento
de arriscar e investir. Para conhecer o negócio como um todo, os
gestores dispõem de uma ferramenta chamada ERP (Enterprise Resource
Planning) que consolida de forma consistente todos os dados da empresa
permitindo uma análise geral e não por departamentos.

Se temos todas a informações necessária para a realização do trabalho
e podemos acessar e interagir com outros membros da empresa de
qualquer lugar do mundo, porque ainda temos nas empresas o formato de
“bater o cartão”? Por que temos que ir ao escritório? O modelo de Home
Office não é novidade, entretanto, atualmente existem hardwares e
aplicativos que permitem trabalhar não somente de casa, mas de
parques, restaurantes ou de onde for necessário. Os vendedores podem
consultar informações e acionar alguns processos para a realização de
uma venda, tudo isso diretamente de sistemas de vendas instalados em
um tablet por exemplo. Os clientes também podem realizar seus pedidos
de produtos ou de serviços de uma forma personalizada através de um
sistema de customização.

A tecnologia existente pode otimizar a utilização dos espaço físicos
dentro da empresa, aperfeiçoar os sistemas de produção e distribuição,
e também pode melhorar o processo administrativo das empresas e
consequentemente cria o novo paradigma da gestão. A gestão na era da
informação tende a reduzir os custos, ser mais eficiente e dinâmica.
Tudo depende da forma que as empresas aproveitam estes sistemas para
gerenciar a empresa e relacionar com seus clientes e fornecedores.


________________________________

[1] João Roncati, Site da Revista Exame –
(http://www.exame.abril.com.br, acessado em 25 de maio de 2015).

[2] Mattos, Lissandra K. As Mudanças Organizacionais e seus gestores
nas empresas na era da informação – Dissertação de Mestrado FGV, Rio
de Janeiro, 2010.

[3] Cristofoli, Prof. Dr. Fulvio: Sistemas de
Gestão Empresariais Contemporâneos, 2015.

[4] Correa, Cristiane Sonho Grande, Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2013

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